Então, acabaram os Narutos. E Bleach, que nem deu tempo de contar aqui, também. Agora só esperando estrear no Japão. Então... comecei o mais famoso e antigo, milhões de episódios, eba... One Piece :) Vício, e acabo de assistir a saga da origem da Nami. Quem não faz a menor idéia, basta saber que tem ponkan na história. Quem conhece, sabe que tem ponkan na história, e ela é de matar. Muuuuuuuuuuuuuuito legal, a origem mais longa até agora, mais legal, matar de rir e chorar.
Coloquei aqui o final dessa fase, que é o segundo da série, e que tem tooooodo mundo correndo pequeninhos, com as famílias e amigos aparecendo antes. É isso, parece bobo, mas não é: é japa. Pega direto no peito: o que te faz ser do jeito que você é, assim, com 12, 15, 18 ou 35 anos? De onde você veio, que promessas você fez, que orgulho carrega, o que quer provar pro mundo? O que te faz aguentar dor, cansaço, infelicidade, frio? Em nome de quê você é? Em respeito a o quê ou a quem você encontra forças pra lutar? No caso do Naruto, do Bleach e do One Piece, sabe o que é surreal? Tem amigos e família. Os amigos são o chão e os olhos dos personagens. O George Lucas explicava, quando fez o roteiro do Guerra nas Estrelas, como o mito do herói é necessário, indispensável e ancestral para todos nós, citando Joseph Campbell.
Saber de onde viemos, respeitar e preservar isso, é bem japa. Isso é simples e não se pode perder.
E o que faz essa ponkan no meio de toda a história da Nami, do Luffy, do Zoro, do Usopp e do Sanji?

Quando vi a plantação de ponkan da família da Nami, e o desenho mostrando a feira com verduras frescas como eu via nas ruas de Tóquio, lembrei dessa sensação estranha que era reconhecer o conforto da familiaridade com as comidas daqui, minha casa, mas que eram de lá, minha origem. Desse nó que faz das cabeças dos descencentes de imigrantes um redemoinho gomu-gomu a la Luffy. Lembro como as frutas eram tooooooooooodas mostradas assim, felizes e graaaaaaaaaaaaandes nas prateleiras. Com essas mega chamadas de promoção :) Comprava 3 ponkans.
E sabe? Uma ponkan traz muito mais laços entre todos nós que qualquer blá-blá-blá raso sobre a origem dos japoneses. Porque ela, assim como os jeitos de temperar, denuncia o sotaque do silêncio que somos.