Conte sua história › Nádia Sayuri Kaku › Minha história
Quem nunca ouviu falar que alguns nomes, como “Francisco”, parecem nomes de velho? Não sei, acredito que é porque na minha geração, ou na geração de pessoas que fazem alguma observação desse tipo, certos nomes não são muito comuns, por isso a impressão de “antigos”.
Acho que quando o assunto é nomes japoneses, esse fenômeno também ocorre. Recebi um e-mail alguns anos atrás que listava várias coisas que os nikkeis tinham em comum. Uma delas era o fato de ter em sua família primos ou tios com os nomes Rosa, Tereza, Alice, Jorge, Paulo ou Luiz. Qualquer um que ver minha árvore genealógica pode reparar que esses nomes aparecem mais de uma vez. E eu, como Sayuri, já cansei se encontrar xarás. Há muitas mais Sayuris no mundo do que Nádias.
Qual a razão de tantas coincidências? Talvez seja a mesma de qualquer outro nome de qualquer outra nacionalidade: homenagens, tradições, nomes famosos. As Michikos que estão por aí, provavelmente, se chamam assim por causa da imperatriz. Como eu posso apostar que muitas Aikos que irão por vir são uma homenagem à pequena princesinha nipônica.
Uma outra razão que eu descobri para isso vem da cidadezinha em que a minha mãe nasceu, Itariri, no Vale do Ribeira Paulista. Quando os filhos nasciam, é óbvio que a primeira decisão da família era registrá-lo com um nome japonês.
Porém, na época da Segunda Guerra, foi proibido o registro de pessoas só com nomes japoneses. Então, no cartório, os pais tinham que escolher um nome “brasileiro” na hora. Acontece que o homem que trabalhava lá na época se chamava José Luiz de Jorge. E não deu outra: vinha um menino e era registrado como José; o segundo, Luiz; o terceiro, Jorge. E assim sucessivamente
Só há um caso que a minha mãe se recorda que foi uma exceção. Era uma colega dela, que se chamava Mayumi. Sem nomes brasileiros. Como ela conseguiu tal proeza? O pai, ao registrar a filha no cartório, conseguiu convencer o tabelião que “Mayumi” era um nome francês. E não é que ele acreditou?
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Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil