Esta semana, um amigo meu me contou que ele toma dois banhos de mar: um no dia 31 de dezembro e outro no dia 1o de janeiro. O primeiro, para limpar corpo, mente e espírito, tirar as energias negativas. O segundo, para que Iemanjá lhe recarregar as forças e que o ano que está começando seja melhor. Muitas culturas ao redor do mundo têm o costume de fazer uma grande faxina na casa para esperar o ano novo. Tirar tudo o que há de ruim, de velho, para dar espaço para a entrada do novo, da surpresa, das novidades.
Brasileiros gostam de vestir branco para chamar paz. Outros usam, no mínimo, uma lingerie nova. Aqueles que moram à beira-mar ou que viajam para o litoral costumam, além da ceia, pular sete ondinhas. Comer lentilha para ter mais prosperidade, ver os fogos de artifício (sempre há aquele vizinho que compra), brindar com um borbulhante (nem que seja guaraná para as crianças), não comer frango (porque ele cisca para trás). Uma amiga recomenda que a gente faça desejos. Peça para o Universo que ele traga um carro novo, um namorado, o seu casamento, saúde para alguém doente, sabedoria... não há limites para a sua lista. Já os americanos prezam muito as resoluções de ano novo. Quase todas as conversas desta época do ano giram em torno de saber qual a sua decisão para o ano que virá. Ou seja: o que você vai mudar na sua vida para que o ano que vem seja diferente.
Eu não moro no litoral, então, pular as sete ondinhas fica um pouco complicado (requer, no mínimo, enfrentar dois baita congestionamentos -- um na ida e outro na volta). Muitas vezes também estive fora de casa no ano novo. Uma vez na Argentina, outra nos EUA, outra acampando no Chile (era um acampamento mundial de escoteiros, então comemoramos vários anos-novos por causa dos diferentes fusos horários dos países). Uma vez, eu trabalhei e depois fui para o grupo escoteiro, acompanhada um casal amigo meu de Portugal. Algumas vezes passamos na praia, no caminho para ver a família no Rio Grande do Sul. Outras vezes, com a família de lá e outras com a família de cá. Outras aqui mesmo, em São Paulo, das mais variadas formas: com amigos, sem amigos, com poucos amigos, na casa de amigos. E a cada lugar que eu vou, a tradição é diferente.
Com o tempo, descobri que eu não sou muito de tradições (ok, ok, eu confesso: eu adoro comer moti no 1o dia do ano). Fazer por fazer ou fazer algo porque todo mundo está fazendo (ou sempre fez) não me interessa. Me vestir assim ou assado, por superstição, também não me atrai. Então, do meu jeito, ano após estou criando minha própria rotina (chamemos assim, por enquanto) de ano novo.
Conforme o ano vai chegando ao fim, eu faço uma limpeza no meu guarda-roupa (o que areja a minha cabeça) e minha estante de livros (o que coloca minhas idéias no lugar). Seleciono tudo aquilo que não quero mais e coloco em sacolas. Aproveito esse tempo para ver quais idéias e ideais já se foram. Também revejo minhas fotos: quais amigos não ficaram, quais precisam de carinho e cuidado, quais (não importa o que tenha acontecido e onde eles estejam) têm lugar garantido no meu coração. Também aproveito para agradecer pelas fantásticas pessoas que entraram em minha vida e que quero manter.
No dia, tomo um bom banho. Reflito (nem que seja por 2 minutos -- tempo do condicionador agir) e agradeço. Depois, me visto conforme me sinto mais confortável (e isso pode incluir roupas pretas). Afinal, quero entrar no ano novo me sentindo bem, sem nenhuma peça me pinicando ou morrendo de calor. Depois, bom, vem todo o ritual da comilança, do brinde, da contagem regressiva e dos fogos. E, uma novidade: para este ano, resolvi fazer pedidos. Fazer planos. Vou colocar tudo em um novo diário que estou começando. 2008 precisa ser especial (aliás, todos os anos precisam).
E você? Já começou seu ritual de ano novo? Quais seus pedidos, suas resoluções? Encontrar alguém? Se encontrar? Amar? Ser amado? Passar de ano? Sair do cheque especial? Ter mais tempo para você, para a sua família? Trocar de carro? Comprar uma casa? Emagrecer? Tomar coragem e declarar o seu amor? Começar a reciclar?
Seja qual for o seu pedido, deseje-o com sabedoria. Como dizem os americanos: "Be careful what you wish for. It might come true", vulgo: "Tome cuidado com o que você deseja, ele pode se tornar realidade". Se você prefere fazer resoluções, te desejo coragem, força, empenho, paciência e persistência. Afinal, mudar é fácil. Mantê-la é que é complicado.
Que neste 2008, possamos fazer mais amigos, reencontrar os antigos, amar mais, viver mais, com saúde e paz. Um doce ano para todos nós!
Raquel.