Anotem aí: dia 25 de fevereiro às 22 horas estréia na Band a novela japonesa "Haru e Natsu". Já vi bastante gente comentando a respeito desta produção da NHK. Com certeza muitas "batians" (vovós) vão dormir mais tarde só pra acompanhar a novela.

A trama vai abordar a vida de duas irmãs que se separaram quando a família delas saiu do Japão para tentar a sorte no Brasil. Portanto a identificação da comunidade japonesa daqui vai ser imediata. Muitas lágrimas vão rolar e em drama os roteiristas japoneses são especialistas. Acredita que saiu há algum tempo atrás uma novela japonesa que se chamava "Um litro de lágrimas"?
A autoria de "Haru e Natsu" é de Hashida Sugako, uma velha conhecida dos telespectadores nikkeis. A novela "Oshin", uma outra obra da autora, foi transmitida por aqui no programa Imagens do Japão nos anos 80.
E não dá pra falar em Imagens do Japão sem falar de Rosa Miyake, que comandou a atração por 35 anos. Rosa foi uma espécie de relações-públicas da comunidade japonesa. O programa tinha uma grande cobertura no país. Mesmo em cidades que não tinham muitos nikkeis o programa podia ser assistido. Foi através dele que muitos brasileiros puderam ter contato com a cultura japonesa e sua comunidade no país. Tive um chefe, gaúcho, que assistia ao programa quando morava em Porto Alegre. Ele começou a gostar tanto da cultura japonesa que hoje ele é casado com uma nikkei e até já viajou para o Japão com ela.
Com tanto tempo a frente do programa muita gente acaba esquecendo que Rosa também fez uma grande carreira como cantora. E não eram apenas músicas japonesas que faziam parte do seu repertório. Na década de 60, no auge da Jovem Guarda, Rosa Miyake se apresentava em shows e em programas de TV (Globo, Excelsior, Tupi, etc). Chegou a dividir palco com estrelas como Roberto Carlos, Agnaldo Rayol, Silvinha, Nelson Gonçalves, entre outros. Por pouco não foi seguir a carreira de cantora no Japão, onde chegou a lançar um disco. O curioso é que sua música mais conhecida foi um jingle que ela gravou para a Varig, Urashima Taro, que até virou marchinha de carnaval na época
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Apresentadora, cantora, garota-propaganda. Só faltava ser atriz. Faltava nada. Rosa Miyake foi protagonista de uma novela. E não foi na NHK, foi na TV Tupi. Em janeiro de 1967 ela estreiou na novela "Yoshico, um poema de amor", onde fazia o papel da garota do título. Na trama, Yoshico mantinha um romance proibido com o personagem interpretado pelo ator Luis Gustavo, que alguns anos depois ficaria muito conhecido pelo papel de Beto Rockefeller.
É difícil imaginar como ela conseguiu chegar tão longe na carreira. Mesmo hoje em dia ainda é raro ver artistas nikkeis por aí. E olha que ela começou há mais de 40 anos, quando ser artista não era uma opção bem vista pelos pais, muito menos pelos pais nikkeis. Mas por incrível que possa parecer, a maior incentivadora da sua carreira foi a mãe, Chie Miyake.
Atualmente Rosa Miyake está afastada das telinhas. Mas com certeza ela e o programa Imagens do Japão vão continuar na memória dos brasileiros por muitos e muitos anos.